Por várias vezes eu já tentei me “desligar” do futebol e deixar de acompanhar o Atlético Mineiro, meu time de coração a 21 anos, que por diversas vezes já me proporcionou momentos de glória – como o seu centenário – ou momentos tristes e de decepção. E acho que este é mais um momento de decepção.
Muitos dizem que o time é vice-campeão estadual e chegou as quartas da Copa do Brasil e que estamos reclamando “atoa”, pois o time tem uma base boa e almeja grandes coisas. Sinceramente, não é o que eu penso e não é de hoje.
É difícil ver um time ir “ladeira abaixo”, tudo em prol do saneamento de dívidas das quais nenhum torcedor tem conhecimento do valor total, a quem o clube deve e quanto é que cada um tem direito. É difícil ver uma diretoria que entende muito de administração e nada de futebol. É difícil ver jogadores que não acrescentam nada ao elenco mantidos, “panelinhas” formadas por alguns jogadores que tem a capacidade de derrubar e vetar técnico, enquanto isso os poucos que se importam com o clube não tem chance de jogar, sempre ficam no banco de reservas ou são renegados e jogados para escanteio. É difícil ver um marketing trabalhar de forma tão ineficaz e ainda ter a coragem de vir a público se “gabar” de seus “grandes feitos” como pagar quenianos para levar a bandeira do galo para o pódio após a São Silvestre.
Mas vamos por partes, para não se perder neste texto.
.
Primeira pergunta: Cadê a auditoria? É claro que a diretoria está fazendo um bom trabalho administrativo, comparando com as cinco últimas gestões, o nosso Ziza Valadares está com uma gestão muito boa, pagando as dívidas, mas você sabe o tamanho da dívida do clube? Eu não sei. Você sabe a quem o time deve? Eu não sei. Sabe quanto cada um tem direito a receber? Eu não sei. É preciso uma auditoria para que se saiba a real dívida do clube para depois começar a pagar, essa história de “pagar sem saber” chega a ser contraditório porque passa a impressão de que se eu acordar e ir na sede para dizer que eu tenho algo a receber, ele vai fazer um acordo e me pagar. Mas, como disse anteriormente, a diretoria faz um bom trabalho administrativo, mas só na área administrativa, porque o “futebolês” de todos alí está infinitamente abaixo de todos os times da Série A e alguns da B do Brasileiro. Ver alguém vir a público e dizer que “devemos ficar orgulhosos de ter tentado” contratar tal jogador me deixa enojado. Orgulho de ter tentado Sr. Hissa Elias Moysés? Ultimamente eu tinha orgulho dos jogos maravilhosos, das disputas acirradas pelos títulos, por ver grandes jogadores como Taffarel, Gilberto Silva, Beletti, Dedê, Caçapa [anos 90 - que eu vi pessoalmente], Eder Aleixo, João Leite [anos 80] e inúmeros outros nomes importantes que passaram por aqui. Isso sim me dava orgulho e não ver que a diretoria estava negociando com alguém que nem era empresário do determinado jogador que queriam contratar.
Ver alguém como o Sr. Álvaro Cotta Texeira da Costa, nosso incrível Diretor de Marketing, falar publicamente que o projeto Sócio-Torcedor não é rentável traduz fielmente como o Marketing funciona. Ir a TV e falar, sem comprovação, até eu faço. Não é preciso ir muito longe para ver que o Sócio-Torcedor funciona, mas a insistência em “depreciar” o alheio é algo que impera dentro dos que trabalham no Atlético. Normalmente, se diria que a grama do vizinho cresce mais verde que a do galo, mas no caso da diretoria, é sempre a grama do galo que cresce mais vistosa, mesmo sendo claro que isso é a maior mentira. O sócio-torcedor não é rentável? Então alguém me explica porque que o Inter quer chegar a 100 mil sócios antes de completar 100 anos? Se não é rentável, porque o clube gaúcho insiste neste projeto que só dá prejuízo, segundo palavras do grande Cotta, e não seria benéfico ao clube? Será que é medo do galo ter mais de 100 mil sócios, que pagariam para ter vantagens e ajudar o time e que, se baseando no código brasileiro, poderiam requerer “voz ativa” dentro do clube? Será que por isso o “plano cemig” é mais viável?
Mudaram o diretor de futebol. Não tenho nada a comentar sobre o novo “homem forte” de futebol do galo Alexandre Faria, já que ele chegou agora. Só tenho conhecimento de seu “passado glorioso” no América/MG e, devido a isso, prefiro ficar calado.
E o conselho? Ahhh, o conselho, nosso querido conselho. Ele é tão ativo no Atlético que, as vezes, nem dá pra lembrar que temos uma oposição dentro do clube. Onde está o sempre “falastrão” Alexandre Kalil que quando teve a chance de “assumir o poder” do galo, como presidente, fugiu da raia? Poder este que caiu no colo do Ziza, que está lá por ter sido candidato do ex-presidente Ricardo Guimarães. Não dá pra xingar o Ziza, eu já passei dessa fase. É inaceitável ver os cargos do clube serem entregues a amigos, é inaceitável ver um presidente dizer que o clube não atrasa salários quando, ao mesmo tempo, tem ajuda do banco do ex-presidente para equilibrar as contas mensais.
Mas graças a Deus temos pessoas como o Emmerson Maurilio, um dos nomes responsáveis pelo Centro Atleticano de Memória, e vários outros que, felizmente, desejam o bem do clube, já que eu duvido muito que os citados acima pensam prioritariamente no bem da instituição.
As vezes, parece que o clube voltou a primeira divisão mas a diretoria continua com os pensamentos pequenos, com pensamento de clube que quer ir bem na segunda divisão.
.
Na comissão, tudo mudou essa semana, a chegada do Gallo coloca um ponto final em uma das “economias porcas” mais inacreditáveis dos últimos anos. A contratação de Geninho.
Não vou redigir palavras sobre o Geninho pelo simples fato de que ele não merece isso. Geninho é um técnico que vive de passado, vive de campanhas medianas e suspira pelo Brasileirão de 2001 ganhado pelo Atlético Paranaense, em uma época em que o campeonato nem sempre dava o título para a melhor equipe ou para a de melhor campanha, um dos motivos por eu ser radicalmente contra ao mata-mata no Brasileirão.
A chegada do Gallo causa uma mudança, o afastamento de alguns jogadores causa uma mudança.
Mas não é uma mudança adequada ou que resolva os erros. O principal erro de 2008 foi ter deixado o Emerson Leão ir embora no fim do ano anterior. Além disso, as contratações por DVD, os jogadores que chegaram, não jogaram e são afastados, jogadores que fazem “panelinha”, jogadores que não tem a menor capacidade de usar o manto alvinegro e, porque não, a proteção eterna aos garotos da base.
Qual o critério usado para contratar o Ricardo Martinez e o Agustín Viana? Ver DVD de empresário? Porque o Martinez não jogou regularmente no clube, o Viana teve “mil chances” e não fez nada de útil.
Será que só agora notaram que o Cláudio estava “sugando” dinheiro do clube? Será que só agora notaram que o Gérson é um jogador fraco?
Porque contratar o Sérvulo? Não que ele seja ruim, fez ótimas partidas com o triste time do América/RN no ano passado e, se não evitou o rebaixamento – o que era impossível -, evitou que todas as derrotas fossem por goleadas. Sérvulo veio, para ser o reserva imediato de Juninho, que era reserva dele antes de sair do América e vir para o galo. Perai, o nosso titular hoje era o reserva do nosso 3º goleiro em outro time? Exatamente…
Mas, além do Sérvulo, o que mais me espanta é o afastamento do Vanderlei e, principalmente, do Xaves. E para falar disso, chego a outro tema, a proteção dos “meninos da base”.
Tá certo que a base revela bons jogadores e o clube deve zelar por eles, mas daí a atrapalhar o desenvolvimento do time é algo absurdo. Todo mundo sabia que o Xaves estava em melhor forma que o Rafael Miranda, todo mundo sabia que o Édson falhou em todos os jogos que fez nesta temporada e que o Sérvulo merecia pelo menos uma chance. Todo mundo sabe também que o Vanderlei em menos jogos fez mais gols que o Marinho e, por mais que não seja o melhor jogador para a posição, muita gente sabe que o Viana é melhor que o Feltri.
Então, porque diabos o Rafael Miranda, o Édson, o Feltri e o Marinho são mantidos no elenco e os outros são afastados? Simples, os três primeiros são protegidos por terem vindo da base, já o quarto faz parte da “panelinha” encabeçada pelo zagueiro-capitão Marcos e que, já peitou técnicos, forçou escalações e renovações de contrato. E pensar que eu, no auge da minha inocência, apoiei a renovação de contrato do Marcos.
O elenco precisa de jogadores de qualidade. Olha o Fabiano Eller e o Cleber Santana “dando sopa” por aí. E o lateral Uendel que ia vir pra cá e assinou com o Fluminense? E o Camilo que ficou meses se falando que assinaria com o galo e foi parar na Toca? Ahh, esqueci, era pra gente ter orgulho de ter tentado, né?
Reforços Sr. Valadares, pelo amor de Deus! Reforços, para chegarem e serem titulares, não apenas “mais um nome” dentro do time. Disso a gente já tem aos montes.
Aí vão falar, “ahh, mas o time não tem dinheiro”. Peraí, não ia ter dinheiro para trazer o Gallardo e/ou o Ricardinho? Não apareceu “amigos” para bancarem o Luxemburgo? Porque os “amigos” não trazem o Eller e o Santana? Porque os “amigos” não montam um time competitivo e colocam na mão do Gallo? Ahh, já sei, esse dinheiro deve ter sido usado na importação de DVD’s do Uruguai e do Paraguai, né?
.
Ahh, a torcida. Apaixonada e passional como sempre. E eu me encaixo nisso, sou apaixonado por este time. O problema são os “cegos” e os que se acham “mais torcedores” do que os outros.
Muita gente diz que vai ao Mineirão em todos os jogos. Bom, essas pessoas tem um recurso a mais, mas a partir disso, acreditar que é mais alvinegro do que alguém que mora no interior do estado, em outros estados ou países, é de uma completa ignorância. Muitos se baseiam na máxima “torcedores de orkut” para definir alguns. Só tenho uma palavra pra isso: ridículo!
Ninguém é mais alvinegro do que o outro e, principalmente neste momento, é importante que todos se tornem um só. A torcida é, sem dúvida nenhuma, o maior patrimônio que o Clube Atlético Mineiro tem, falta cobrar com mais imponência, lutar pelo bem do clube sem “se dividir” em “torcedores de orkut”, “zizetes”, “alienados”, “desacreditados” e afins. Somos todos atleticanos e precisamos agir como atleticanos. Chega de se conformar com o que a diretoria e os jogadores fazem.
.
Algumas já citadas neste texto, outras ainda não. Porque não pegar o modelo de sócio-torcedor do Inter e instalar aqui? 50 mil sócios pagando 25 reais por mês já são R$1.25 milhão por mês. 25 reais por mês [no plano mais barato] dá direito a ingressos pros jogos do mês em casa. Façam outros planos de valores diferenciados e com mais benefícios. O Atlético tem total capacidade de atingir 100 mil sócios e uma média de R$3 milhões por mês. Porque não fazer a torcida colaborar e em troca dar ingressos, visitas a Cidade do Galo ou produtos licenciados. É difícil entender isso? Tem muita gente por aí que sabe disso e tem números mais concretos sobre o sócio-torcedor. Quanto que o galo ganha com o Projeto Cemig? Ahh tá.
O Atlético precisa de renda, precisa ter visão de mercado. Onde estão os produtos licenciados do Atlético para serem vendidos nas Lojas do Galo? Qual a finalidade de ter uma loja de 700m² para meia dúzia de produtos? Por onde estão as canetas, borrachas, mochilas, cadernos, camisas, blusas de frio, revista do clube, calendário e os mil outros produtos que podem ser criados?
E por aí, seja em blogs, comunidades no orkut e sites, você encontra várias idéias interessantes e que podem ajudar o Clube Atlético Mineiro. Aí eu me pergunto, é tão difícil pra diretoria trabalhar ao lado da torcida? A cada dia e a cada ação tomada por eles, eu fico mais convencido de que isso vai ser impossível daqui a algum tempo…
3 Comentários
Comentários RSS URI identificador do TrackBack
Deixe um comentário





















Amor…
falou tudo :O
as coisas estão ruins
só “eles” que não enxergam
ou não né?!
Só sei que ser omisso e deixar como está é muito mais fácil
aversão a mudança é mato nessa diretoria mediocre!
falta de vergonha na cara
enfim…
Não só do Leôncio, mas dos jogadores, comissão técnica e da PORRA do conselho!
ahhhhhhh nem, EU QUERO MEU GALO DE VOLTA!!
Tem 9 anos que eu choro por esse time ¬¬’
e poucas foram as vezes que chorei de alegrias
ahhhhhhhhh neeeeeeeeeeeem!
eu amo o Galo
mais amo mais você
♥
beijosss!
O pq do socio torcedor não existir mais é muito fácil. Ele foi criado com base em outros projetos de outros clubes e previa a participação dos sócios-torcedores na escolha de dirigentes e presidentes. Por isso foi cortado. O atual presidente não quer participação de ninguem na sua gestão.
Pois é meu caro João. As coisas são bem assim. O medo de uma eventual participação é o que realmente afasta o projeto do Sócio-Torcedor do Galo.